Setembro Dourado: após quatro anos, jovem conta como venceu o câncer na Uopeccan

Febre, dor de cabeça, palidez, manchas roxas e brancas, nódulos, perda de peso ou inchaço. Os sintomas são comuns durante a infância, mas também podem ser reflexo de doenças mais graves, como o câncer. Aos 18 anos, após finalizar o tratamento contra Linfoma de Hodgkin em 2017 na Uopeccan de Cascavel, Heloísa Gemelli Tansini da Silva, relembra quando tinha 14 anos, e percebeu um nódulo no pescoço durante o culto em sua igreja. “Quando cheguei em casa, mostrei para o meu pai – que é médico e que, no ano anterior, tinha feito um curso de capacitação de diagnóstico precoce de câncer infantojuvenil para profissionais da área da saúde na Uopeccan”, disse Heloísa.

Após a realização de vários exames antes de uma semana, Heloísa iniciou o tratamento. Por conta das sessões de quimioterapia, os primeiros efeitos colaterais começaram aparecer. “Não digo que foi tranquilo a perda dos meus cabelos, porque não é. Mas eu tentava ver algo bom ou, simplesmente, tentar me divertir com o que acontecia ao meu redor. Eu lembro de uma vez em que eu estava escovando, e ele caia na minha roupa e no chão. Naquele mesmo dia, eu tirei duas fotos sorrindo com a escova”, finaliza.

Em 2020, a Uopeccan diagnosticou 65 novos casos de câncer em crianças e adolescentes. Para oncologista pediátrica, Carmem Maria Costa Mendonça Fiori, uma das maiores dificuldades do diagnóstico precoce é a “confusão” de identificação no primeiro estágio da doença. “Caso haja persistência dos sinais e sintomas, após um tratamento especifico. A criança deve ser reavaliada e deve prosseguir a uma avaliação clínica mais detalhada e realização de exames. O problema é que até surgir a suspeita do câncer, vão sendo administrados medicamentos ou terapias convencionais, o que acaba atrasando o diagnóstico pontual e contribui para a evolução da doença”, orientou a médica.

O encaminhamento precoce para uma avaliação especializada pode ser fundamental para o aumento de chance de uma criança e do adolescente com suspeita de câncer, chegando até 70% da cura. “A observação apurada dos pais pode ser decisiva para o diagnóstico rápido, assim como a atenção dos profissionais da saúde no alerta de que pode ser câncer. Por essa razão, é primordial que os pais estejam atentos observando o comportamento, as queixas e as características atípicas que possam ocorrer com a criança”.

Superação
Foram 6 meses de tratamento, iniciando no mês de maio até novembro de 2017. Apesar das circunstâncias, Heloísa carregava com ela o sonho de se tornar médica e seguir os passos do pai, pois quando era pequena gostava de ir no hospital. “Com o passar dos anos, eu me encantei cada vez mais com a perfeição do organismo humano. Depois que finalizei o tratamento, percebi que ser médica não é só sobre a consulta, a cirurgia ou o conhecimento, mas também é sobre ter compaixão com os seus pacientes”. Nesse ano, Heloisa começou dar os primeiros passos para realizar o sonho, ingressando em um curso de medicina em Cascavel.

Programa Diagnóstico Precoce
Criado em 2008, o Programa Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil do Instituto Ronald McDonald em parceira com a Uopeccan, visa promover a identificação precoce da doença por meio de capacitações de profissionais da Atenção Básica de Saúde, pediatras da rede SUS e privada, além de estudantes de medicina e de enfermagem para que possam desenvolver o olhar especifico para suspeitarem da doença e saberem como encaminhar um caso suspeito para uma avaliação especializada, contribuindo também com a organização da rede de saúde na localidade.

Setembro Dourado
O mês de setembro é destinado à conscientização do câncer infantojuvenil. Para isso foi criado o Setembro Dourado como um movimento para alertar pais, profissionais da saúde, educadores e sociedade em geral sobre a importância de se atentar aos sinais e sintomas do câncer em crianças e adolescentes. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer ainda é a enfermidade que mais mata na faixa etária de 01 a 19 anos no Brasil. Ainda hoje, as chances de cura da doença no Brasil são de 64%. Nos países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), os índices de cura podem chegar a 80%.