O cardápio contra o câncer!

Nos tratamentos oncológicos, o papel do nutricionista é essencial para guiar tanto os pacientes que já estão sentindo efeitos colaterais do tratamento quanto aqueles que ainda não possuem hábitos alimentares saudáveis

Falta de apetite, desconfortos estomacais, problemas para digerir os alimentos, enjoos… Estes são apenas alguns dos efeitos colaterais sentidos por muitos dos pacientes que encaram um tratamento oncológico. Mas além de tudo isso, outro problema bastante comum durante esse período é a perda de peso. “Um em cada três pacientes com câncer são candidatos a perder peso em algum momento durante a sua doença. Isso acontece tanto por conta da redução da ingestão de alimentos por fatores psicológicos ou limitações físicas e até mesmo pelas alterações metabólicas causadas pelos efeitos do tratamento”, indica uma das nutricionistas do Hospital Uopeccan, Franciele Stefanoni.
Para minimizar estes efeitos, portanto, surge o papel do nutricionista, profissional essencial para conduzir e guiar o paciente para que ele se alimente bem e, ainda assim, sinta de maneira mais branda os efeitos colaterais que envolvem a alimentação. “A escolha correta dos alimentos otimiza o tratamento oncológico e ajuda a minimizar os efeitos colaterais. O velho ditado já diz: é melhor prevenir do que remediar. Com o estado nutricional também acontece o mesmo. O suporte nutricional é importante em qualquer etapa, porém o resultado é muito melhor quando o acompanhamento já começa junto aos primeiros passos do tratamento”, pontua a nutricionista.
Em relação a quem precisa deste suporte, Franciele garante: praticamente todos os pacientes oncológicos. Ela separa, portanto, algumas especificações para cada tipo de tratamento. “Os pacientes que recebem radiação nas regiões da cabeça, pescoço, abdômen e pelve podem apresentar alterações no trato gastrintestinal com prejuízo na alimentação. Os efeitos da radiação nesses casos podem levar à perda de peso e à desnutrição, prejudicando o tratamento. Os pacientes que fazem quimioterapia também podem apresentar efeitos colaterais que afetam diretamente a alimentação, como náuseas, vômitos, falta de apetite, boca seca (xerostomia), feridas na boca (mucosite), diarreia ou constipação” esclarece.
Para garantir que a alimentação adequada surta os efeitos esperados, o suporte nutricional precisa ultrapassar os pacientes. Segundo Franciele, é importante que familiares e acompanhantes também estejam envolvidos no processo para garantir, além da dieta adequada, uma resposta melhor ao tratamento. “O suporte nutricional é decisivo na manutenção da qualidade de vida dos pacientes por preservar a integridade intestinal, prevenir e/ou tratar a desnutrição, melhorar a resposta imunológica, acelerar a cicatrização e reparos dos tecidos lesados e por proporcionar também diversos benefícios como redução no tempo de internação, já que, estando bem alimentado e nutrido, o paciente se recupera de maneira mais eficiente”, garante.

Foto: Divulgação

ORIENTAÇÕES
Ao sentir qualquer tipo de efeito colateral depois de um tratamento, é preciso buscar o apoio de uma equipe multidisciplinar do Hospital, que normalmente é composta por enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, dentistas e psicólogos. Porém, Franciele lista algumas orientações básicas para os principais efeitos identificados na maior parte dos pacientes. “Nos casos de náuseas e vômitos, prefira alimentos gelados ou em temperatura ambiente; faça pequenas refeições em intervalos de tempo menores; coma devagar e mastigue bem os alimentos; beba sucos ou chupe gelo ou picolé de frutas cítricas, como limão (se não estiver com feridas na boca) nos intervalos das refeições; evite ficar próximo de uma cozinha durante o preparo das refeições, pois o cheiro dos alimentos durante a preparação pode causar náuseas; utilize gengibre, que pode ser consumir na forma de temperos das refeições ou chás; tente perceber quais alimentos lhe causem mais náuseas e evite seu consumo e evite deitar logo após as refeições, já que o ideal é esperar pelo menos uma hora”, indica Franciele.
Nos casos em que o paciente apresenta sensação de boca seca, a nutricionista também deixa orientações básicas. “O ideal é evitar alimentos crocantes e duros, preparar as refeições com caldos ou molhos, consumir líquido em abundância e, se não houver feridas na boca, chupar balas azedas e/ou ácidas, picolés ou gelo e mastigar chicletes (de preferência sabor menta), que podem ajudar a produzir mais saliva”, explica.
Se o paciente já apresentar as temidas feridas na boca, não há motivos para desespero. “Indicamos que consuma alimentos macios e pastosos, priorizando alimentos gelados ou na temperatura ambiente. Também é preciso evitar alimentos ácidos, picantes, muito salgados ou muito quentes e utilizar mais os alimentos líquidos ou liquidificados, o que vai facilitar a ingestão”, destaca Franciele.
Para não perder peso, as armas contra a diarreia e a falta de apetite também já são bem definidas. “Se o paciente apresentar diarreia, é preciso evitar alimentos como leite integral, alimentos integrais e verduras cruas e cozidas e, também, passar longe de frutas como laranja, ameixa e abacaxi. Além disso, também indicamos que o paciente consuma mais maçã com casca, melão, banana maça e prata, goiaba e suco de limão. Alimentos como arroz branco, preparações a base de polvilho, farinha de mandioca e trigo refinado também são indicados”, aconselha. “Em relação a falta de apetite, sempre indicamos que o paciente dê preferência aos alimentos que mais lhe chame a atenção. Essa história de comer à força pode piorar a situação e provocar náuseas e vômitos. Também é bacana estimular o paladar com refeições periódicas ao longo do dia, sempre com opções coloridas e atrativas. Outra coisa que indicamos é diminuir a ingestão de líquidos e, caso a falta de apetite persista por muito tempo, procurar indicação de um nutricionista para iniciar um tratamento com suplementos alimentares, por exemplo”, completa.
Com tantas orientações, o ideal mesmo é perceber que a alimentação é peça chave quando o assunto é combate ao câncer. “A alimentação saudável é uma grande aliada tanto na prevenção quanto no tratamento contra o câncer. Adotar hábitos alimentares naturais, ricos em frutas, verduras e legumes ajuda a diminuir o risco de desenvolvimento desta doença que está se tornando cada vez mais comum, justamente pela associação de comportamentos de risco aos hábitos alimentares que se baseiam quase que exclusivamente em comidas artificiais e industrializadas”, finaliza Franciele.
No Hospital Uopeccan, tanto em Cascavel quanto em Umuarama, uma equipe completa de nutricionistas atua para oferecer apoio e orientação aos pacientes. O objetivo é aliar a boa alimentação a uma boa saúde, elementos essenciais para a prevenção e, em alguns casos, para o tratamento eficiente do câncer.