Mães contam desafios do mercado profissional

O Dia das Mães é uma data especial, comemorada e esperada por muitos. No Brasil, passou a ser oficial no ano de 1932 e, desde então, as gerações de mães veem se reinventando e encarando novos desafios, como conciliar o mercado profissional e a maternidade.

Um exemplo, é a Dra. Carla Andressa Dal Ponte, coordenadora da área clínica médica do Hospital do Câncer Uopeccan de Umuarama e mãe de 2 meninos, de 4 anos e 3 meses, respectivamente.

Ela foi responsável por coordenar a ala Covid durante a pandemia, sendo que passou parte da segunda gravidez no universo hospitalar. “Me perguntavam se eu tinha medo. Eu nunca tive medo de trabalhar com Covid, sempre fiz todas as medidas de prevenção e precaução, acompanhada pelos meus médicos. Então na gestação o medo não fez parte da minha rotina aqui dentro, me entregava por inteiro. A nova maternidade só me deu mais força para continuar trabalhando e exercendo meu papel da maneira com a qual eu faço”, conta.

Carla também lembra que, em muitos momentos, precisou se ausentar para exercer a profissão: “eu tentei fazer com que os momentos que vivia com o meu filho fossem muito intensos, tentava me entregar muito e quando eu chegava aqui, buscava esquecer o meu lado materno, para não sentir culpa por estar trabalhando e exercer meu melhor papel”.

Quem também faz parte da equipe de Umuarama e concilia o trabalho com a maternidade, é a cozinheira Eurides Luciana Neto, mãe de 3 filhas, de 24, 20 e 9 anos. Ela conta que criou as filhas sozinha e sempre precisou trabalhar para garantir o sustento da família: “eu sentia um pouco de dó de deixar as minhas filhas, mas era gratificante voltar para casa e saber que elas estariam me esperando, então eu contava as horas para estar com elas”.

No hospital, Eurides é conhecida por colocar um ingrediente especial na comida: o amor. “Eu já passei por muitas situações de ter que deixar as minhas filhas em casa para trabalhar em datas comemorativas, mas é gratificante porque estou cuidando de outra pessoa, fazendo com amor. Eu faço como se estivesse fazendo para a minha filha”.

Já como parte da equipe de Cascavel, a supervisora de relacionamento com o cliente da portaria do SUS, Raquel Bueno, relata que durante os 14 anos de instituição, presenciou muitas histórias tocantes, mas que evita dividir com a filha, de 21 anos. “Compartilho com o meu marido quando eu preciso passar para alguém, mas procuro poupar a minha filha, para ela eu tenho que passar só coisas especiais. Ser mãe é levar amor, proteção, carinho. Tem que ter o equilíbrio de passar as coisas boas, educar, proteger e ensinar”.

Quando ingressou no hospital, a filha de Raquel tinha apenas 6 anos. A profissional lembra que, durante o tempo, precisou conciliar situações difíceis da maternidade com o trabalho: “Quantas vezes eu vim para a instituição deixando minha filha com febre, porque não podia ficar com ela. Muitas vezes eu pedi à minha melhor amiga, outras vezes solicitei para que alguma escolinha ficasse com ela 1 ou 2 dias, eu tinha que conciliar o meu trabalho com o momento que estava vivendo”.

Também da equipe de Cascavel, a colaboradora do apoio, que fica no Núcleo Solidário, Neli Siqueira Feltrin, conta que está na instituição há 9 anos. Ela tem 2 filhas, de 33 e 23 anos e, desde quando começou a trabalhar no hospital, cria as duas sozinhas, em especial a mais nova, que tinha 11 anos.

Emocionada, ela relembra um episódio pelo qual passou, em que a supervisora à época do setor ofereceu R$ 50 emprestados a ela: “quando eu lembro das dificuldades, é muito difícil… ela me disse que se eu precisasse de algo, podia falar. Mas não queria falar, porque estava com vergonha. De tanto ela insistir, me emprestou R$ 50, para eu pagar quando pudesse. Eu paguei até em serviço para ela, porque saia daqui e ia trabalhar como diarista e à noite em uma pizzaria, para dar conta de pagar água, luz, comida. Era eu e eu”.

Neli finaliza ainda que, apesar das dificuldades pelas quais já passou, tudo que ela faz é pelas filhas. “O que eu faço, passando para as minhas filhas, me fortalece mais ainda, para eu estar firme, lutando por elas, para elas seguirem os objetivos delas”.

Série de vídeos

Para celebrar a data, a Uopeccan desenvolveu uma série de vídeos com as mães da reportagem, que serão divulgados durante o mês de maio pelo canal do YouTube e também nas redes sociais oficiais da instituição.