Hilgo Gonçalves Ex-presidente da UOPECCAN conta sobre sua vida

1 – O senhor comentou que veio de uma família simples, primeiramente gostaria que nos contasse como foi sua infância e adolescência.

Passei minha infância em Palotina PR, e por ser filho de uma família muito humilde, porém honrada. Precisei ser protagonista de minha própria história e por isto comecei a trabalhar muito cedo. Meu primeiro emprego, aos 7 anos, foi como paliteiro de bolão, depois engraxate, vendedor de picolé, revista, e loja, tudo isto para complementar o orçamento da família.

2 – Como iniciou sua trajetória profissional?

Iniciei em 1.975 aos 17 anos como auxiliar no Unibanco de Palotina. Aos 21 anos fui gerente geral desta mesma agencia. Em 1.984 assumi a gerencia geral da agencia Unibanco em Cascavel PR e mais tarde, a função de Superintendente de Contas de Cooperativas, atendendo o Estado do Paraná e Oeste de Santa Catarina. Neste período tive a oportunidade de apoiar muitos projetos destas cooperativas que trouxeram benefícios para a região. Em 1.991 assumi a posição de diretor Regional de agências do Unibanco com sede em CASCAVEL com responsabilidade para todo o interior do Paraná e oeste de Santa Catarina. Em 1.995 fui transferido para Curitiba e entre as funções fui diretor da região Sul pelo Unibanco. Em 1.998 iniciei a minha trajetória no HSBC, como Supte em Curitiba em 2.001 fui transferido para a região Norte sendo responsável pela região Amazônica e Centro Oeste. Três anos depois, assumi o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espirito Santo e Região Nordeste. Em 2.008, assumi a presidência da Losango (empresa de varejo do grupo Hsbc), onde permaneci até o primeiro semestre de 2.015.

3 – Nessa trajetória, como foi o seu primeiro contato com a UOPECCAN?

Fui abordado no início de 1.993 pelo dr Ricardo Sabbi, o qual me explicou qual o propósito do projeto UOPECCAN. Naquela época os pacientes de câncer do Oeste do Paraná e região, precisavam ir para Curitiba para fazer o tratamento. Além da doença, os pacientes e familiares sofriam com a viagem, acomodações e despesas. E como eu tinha familiares com câncer, sentia na pele o que isto significava e fiquei sensibilizado.

 4 – Como foi o convite para ser presidente da instituição?

O Dr Ricardo me informou das dificuldades que estava enfrentando para seguir em frente com o projeto, e como ele entendia que com a minha liderança na região eu poderia contribuir muito no projeto, convidou-me para ser candidato a presidente.Com o apoio da família, companheiros de Rotary, colegas de trabalho, aceitei a proposta.  Fui eleito em 1.993 para um mandato de 2 anos.

5 – O que levou o senhor a aceitar ser presidente da UOPECCAN?

Primeiro foi pensando em tentar ajudar a amenizar o sofrimento e custos com o deslocamento a Curitiba ou outros centros, dos pacientes de câncer e seus familiares.

Depois na importância da região oeste do Paraná, que merecia ter uma estrutura de atendimento aos doentes de câncer e para isto construir um centro de radioterapia e uma casa de apoio para abrigar os doentes de outras cidades. Estimular e difundir a prevenção do câncer.

6 – Como foi sua vida junto à causa no tempo em que foi presidente?

Foi intensa e gratificante, pois notei o quanto as lideranças da região, Prefeituras do Oeste do PR, clubes de serviços, empresas e o povo de forma em geral, foram receptivos a causa e apoiaram prontamente.

7 – Nesses anos á frente da instituição, quais foram seus maiores desafios e sua maior conquista?

O maior desafio foi convencer a liderança que o sonho de ter o tratamento do câncer era possível e que para isto seria necessário o envolvimento e desprendimento de todos. A Maior conquista, foi ver o início do sonho começar a ser concretizado. O Instituto Nacional do Câncer doou a Bomba de Cobalto, A prefeitura de Cascavel o terreno, inicialmente no Jardim tropical, e os clubes de serviços, empresas, prefeituras e o povo iniciando as suas doações já acreditando no projeto.

8 – Em discurso, o senhor destacou a frase “Não importa quem faz e sim o que está sendo feito”. No seu olhar, o que ela quer dizer?

O mais importante era a luta pela causa do Câncer, e não quem estaria fazendo isto. O sentido era evitar que houvessem disputas pela autoria do projeto.

9 – Por muito tempo, o senhor esteve à frente do Grupo Losango, reconhecida como uma empresa de sucesso e que valoriza o capital humano. Na sua visão, o que uma empresa precisa para alcançar o sucesso?

Colocar as pessoas no centro de todas as decisões. Se ela respeitar e cuidar bem os colaboradores, eles se sentirão seguros e confiantes e atenderão melhor os clientes. Os clientes, se forem melhor atendidos, ficam mais fiéis e fazem mais negócios, com isto, as empresas obtém resultados mais sustentáveis. E se o empresário reinvestir os resultados na empresa, automaticamente, o círculo se torna virtuoso.

10 – Como é inspirar pessoas a fazerem o bem?

Você precisa ser exemplo, e conquistar seguidores. Fazer o bem, beneficia quem recebe, e realiza quem faz o bem. As empresas que estimulam os seus colaboradores a fazer ações voluntárias, tem sempre uma equipe mais engajada e feliz.

11 – O senhor transparece ser uma pessoa muito realizada no que faz, fechou um ciclo profissional e está iniciando uma nova trajetória. É sempre tempo de recomeçar? Qual o conselho daria para os profissionais que estão iniciando carreira agora?

Após 40 anos de experiência no mercado financeiro, meu propósito será compartilhar experiências e conhecimentos, principalmente no clima organizacional das empresas e no mercado de varejo.

Para os profissionais que estão iniciando a carreira, eu recomendaria que tenham um proposito claro, atuando sempre com a visão de contribuir para um mundo melhor, respeitando e colocando sempre as pessoas no centro de suas decisões.

12 – Há alguma coisa que gostaria de acrescentar?

Que os lideres continuem inspirando mais pessoas a aderirem a causas comunitárias com ideias e ações, visando melhorar a qualidade de vida dos mais necessitados, e a sustentabilidade do nosso planeta.