Doação de órgãos: assunto precisa ser conversado em família

A doação de órgãos pode ser ainda, em muitas famílias, um assunto deixado de lado, pouco falado. Por isso, o Setembro Verde foi instituído, para disseminar a importância desse tema. “Orientamos que caso a pessoa queira ser doadora de órgãos, manifeste esse desejo em vida para sua família, pois apenas a família poderá autorizar a doação”, explica o médico-cirurgião da Uopeccan de Cascavel, Matheus Takahashi Garcia, coordenador do Serviço de Transplante Hepático.

O fígado é um dos órgãos que podem ser doados e desde 2017 o Hospital Uopeccan é o único do Oeste Paranaense apto a realizar o transplante. Desde a data, foram realizados 172 procedimentos. “O transplante de fígado é indicado em todas as doenças crônicas do fígado em fase terminal (cirrose em decorrência de hepatites virais, doenças autoimunes, álcool, doença gordurosa, etc), e em alguns casos raros onde um fígado previamente sadio começa a parar de funcionar abruptamente, sendo o transplante o único meio de cura na maioria das vezes”, explica o médico.

Um exemplo é o paciente Antônio Luiz Antoniazzi, que passou por um transplante no início de agosto devido a cirrose hepática, e recebeu o órgão de um jovem de Santa Catarina. “É fundamental que as pessoas se conscientizem em fazer doações, porque eu sou um exemplo dessa recuperação, graças a alguém que se prontificou a doar seus órgãos”.

O transplante é um procedimento de alta complexidade, que pode levar 15 horas ou mais, considerando o tempo de deslocamento das equipes e cirurgia. “Uma equipe especializada precisa se deslocar para realizar a cirurgia de extração dos órgãos no hospital onde há o doador. Após isso, o órgão é encaminhado via transporte terrestre ou aéreo para o hospital onde está o paciente receptor, que muitas vezes se encontra em outra cidade ou até em outro estado. Assim se inicia a cirurgia do transplante em si, que no caso do transplante hepático dura em média de 5 a 6 horas”, afirma Dr. Matheus.

Para que o transplante seja um sucesso, é preciso contar com uma equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas. “A doação é o único meio de ajudar algumas pessoas a prolongarem suas vidas, ou pelo menos melhorarem sua qualidade. É um ato muito nobre, que deve ser incentivado sempre e mostra que todos podem ajudar uns aos outros em algum momento de suas vidas”, finaliza o médico.

Quais órgãos podem ser doados

Em caso de morte encefálica, quando ocorre a perda completa das funções encefálicas cerebrais, a doação pode ser de rim, fígado, coração, pâncreas e pulmão, ou de tecidos, como córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue do cordão umbilical. Rim, parte do fígado e medula óssea podem ser doados em vida.

Como sinalizar o interesse em ser doador

Após o falecimento, a decisão sobre doar ou não os órgãos, é inteiramente da família. Por isso, se você deseja ser um doador, reúna sua família, converse com todos e aborde o assunto com tranquilidade. Uma única pessoa pode salvar a vida de até 9.