Dia da Saúde e Nutrição: Uopeccan reforça a importância da reeducação alimentar no tratamento

Quem recebe o diagnóstico de câncer precisa lidar com diversas mudanças na rotina e com o corpo, uma delas são os efeitos colaterais como, por exemplo, anorexia (perda de apetite), mucosite (inflamação da mucosa que reveste a cavidade oral), náusea, diarreia e constipação, que poderão ocorrer em maior ou menor grau dependendo do tipo de tratamento e localização do tumor. O Dia da Saúde e Nutrição é comemorado nesta quinta-feira (31), e a Uopeccan ressalta a importância da reeducação alimentar durante o tratamento oncológico.

A terapia nutricional para o paciente com câncer é feita de forma realizada individualizada, levando em consideração suas necessidades nutricionais, tolerância e estado clínico. Por isso o acompanhamento do nutricionista é muito importante e deve ser iniciado desde o diagnóstico, independentemente do tipo de tratamento: quimioterapia, radioterapia e outros, como explica a nutricionista oncológica da Uopeccan de Cascavel, Bruna de Lima. “O trabalho da nossa equipe inicia no processo de produção dos alimentos (preparo, higiene e distribuição), e elaboração de cardápios até o atendimento aos pacientes, o monitoramento do estado nutricional e o cuidado personalizado, com atuação em uma equipe multidisciplinar”.

Para deixar a alimentação ainda mais saborosa, os alimentos são preparados com humanização e amor. “Buscamos incluir nos cardápios opções saborosas, nutritivas e atrativas. Após a avaliação é traçado um plano alimentar para que o paciente possa receber em sua alimentação a maior variedade possível de nutrientes, muitas vezes enriquecidas com suplementos, visto que a porção diminui, mas a qualidade não pode ser reduzida”, complementa a nutricionista, Bruna.

 

Desnutrição pode comprometer o tratamento

O câncer causa uma série de alterações metabólicas no paciente como alterações no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, somado a isso, tumores que estão diretamente ligados ao trato gastrointestinal podem prejudicar o ato mecânico da alimentação, bem como a digestão e absorção dos alimentos. “O paciente pode sofrer uma perda massiva de massa muscular estimulado por citocinas pró inflamatórias, liberadas pelo próprio tumor. Falta/diminuição do apetite também é muito característico de alguns tipos de câncer, o que pode induzir de forma progressiva a perda de peso que se não tratada pode levar a desnutrição, conta a nutricionista da Uopeccan de Umuarama, Franciele Stefanoni Cia.

A desnutrição pode, ainda, afetar as funções gastrointestinais, o que aumenta a chance de desenvolver síndrome de má absorção, translocação intestinal de micro-organismos, hipocloridria, por diminuição das enzimas intestinais, perda de gordura e redução da parede intestinal, atrofia das mucosas gástrica e intestinal, encolhimento das microvilosidades e da massa celular do tecido linfático associado ao intestino. O nutricionista hospitalar tem a função de identificar o paciente que está em risco de desnutrição ou já em desnutrição, avaliar e com medidas dietoterápicas, ajustar a alimentação para reverter o processo, ou ao menos evitar que o paciente continue perdendo peso. Posteriormente trazer orientações para que o mesmo continue as medidas adotadas durante a internação em casa.

Ainda de acordo a Franciele, o sistema imune também pode ficar prejudicado, o que propicia o aumento da susceptibilidade as infecções de feridas, sepse abdominal, fístulas e a pneumonia pós-operatória. “A desnutrição pode contribuir para a ocorrência de complicações no período pós-operatório, colaborando para o aumento do tempo de internação, comprometendo a qualidade de vida e tornando o tratamento mais oneroso”, finaliza a nutricionista.