Radioterapia de alta tecnologia da Uopeccan de Cascavel atinge a marca de mil pacientes tratados

Nesta semana, o Serviço de Radioterapia do Hospital do Câncer Uopeccan de Cascavel atinge uma importante marca

Desde o início de operação do Acelerador Linear Clinac iX em 2014, já são mil pacientes tratados somente com as tecnologias mais avançadas, ou seja, o IMRT, VMAT, Radiocirurgia e Radioterapia Estereotáxica Fracionada.

Dos mil pacientes, cerca de 740 casos foram tratados com tecnologias IMRT ou VMAT, em diferentes tipos de tumores, como próstata, mama, colo de útero, pulmão, etc. Os outros 260 pacientes foram tratados com Radiocirurgia ou Radioterapia Estereotáxica Fracionada, exclusivamente em tumores de Sistema Nervoso Central, ou seja, tumores cerebrais.

A alta tecnologia em radioterapia consiste em tratamentos capazes de concentrar e até aumentar as doses de radiação nos tumores e reduzir drasticamente as doses em regiões sadias próximas. Portanto, o equipamento moderno utilizado na Uopeccan consegue aumentar o controle local da doença ao mesmo tempo em que reduz as chances de efeitos colaterais.

Segundo a médica radioterapeuta Dra Vanessa Ishisato Mercante, as tecnologias oferecidas na Uopeccan ainda são muito escassas no Brasil. “Ainda são poucos os serviços que dispõe destas tecnologias para oferecer à população. O que oferecemos aqui está bem equiparado com os principais centros de radioterapia do Brasil e do mundo. Nossos pacientes podem receber o melhor tratamento aqui em Cascavel. Isso é um privilégio”.

A equipe multidisciplinar envolve profissionais diversos, entre eles, médicos radioterapeutas, físicos médicos, dosimetrista, equipe de enfermagem e técnicos de radioterapia, além de contar com a equipe de nutrição, fisioterapia e fonoaudiologia.

“Uma grande equipe, especializada para oferecer o melhor para cada paciente. Atingimos este número importante, mas a alta qualidade do tratamento realizado é o que mais importa. Isso nos coloca entre os grandes serviços de radioterapia do Brasil.”, afirma o físico médico Gustavo Simonetti.

O serviço divulgou ainda outro número importante. O total de pacientes tratados considerando também a tecnologia Conformacional em 3 Dimensões, já são 4.500 casos nos últimos 10 anos, sendo 3.000 apenas após o início da operação do novo equipamento em 2014, reflexo do aumento da capacidade instalada.


Imagem 1: Exemplo de um tratamento com IMRT ou VMAT: altas doses no tumor e em regiões de risco e doses baixas na medula espinhal, parótidas e laringe.

Imagem 2: Exemplo de um tratamento de Radiocirurgia ou Radioterapia Estereotáxica Fracionada: alta concentração de dose apenas no pequeno tumor.

Entenda mais:

IMRT: Radioterapia de Intensidade Modulada

O IMRT é a evolução do tratamento com Radioterapia Conformacional 3D, sendo mais capaz de poupar tecidos sadios que este outro tipo. Para muitos casos em que, mesmo utilizando a técnica Conformacional 3D, não seja possível atingir todos os objetivos de poupar os órgãos sadios envolvidos, o emprego desta tecnologia é necessário.

A técnica IMRT consiste na aplicação da dose de radiação ionizante através de feixes com intensidades moduladas. Em cada campo, o equipamento irradia mais dose por onde não atinge órgãos sadios. Fazendo isso com 5 a 9 campos de radiação em diferentes ângulos todos os dias, deste modo resulta em uma alta concentração de dose no volume tumoral, poupando os órgãos sadios localizados nas proximidades.

VMAT: Arcoterapia Volumétrica Modulada

O VMAT é o que há de mais avançado no mundo. Parecido com o IMRT, porém, o tratamento é executado com o Acelerador Linear girando ao redor do paciente, distribuindo a dose por várias entradas e ao mesmo tempo se utilizando da tecnologia de modular o feixe de radiação para concentrar altas doses de radiação apenas onde é necessário, isto é, no tumor. Os resultados são semelhantes aos obtidos com o IMRT, mas como o equipamento gira durante o tratamento, ele consegue atingir o tumor e poupar os órgãos sadios vizinhos num tempo menor, cerca de 2 a 3 minutos por dia.

Radiocirurgia e Radioterapia Estereotáxica

O tratamento de um tumor cerebral pequeno, primário ou metastático, e sem indicação de cirurgia pode ser feito utilizando a técnica de Radiocirurgia. Ela consiste na irradiação de toda a dose de tratamento em uma única aplicação, ou podendo ser subdividida em até 5 frações, 1 vez por dia, completando o tratamento em apenas uma semana.

Entre as características principais desta técnica, uma delas é o uso de doses de radiação muito altas concentradas num pequeno volume que envolve o tumor. Isso exige que o paciente seja imobilizado de forma rígida, sem possibilidade de movimentação durante a execução do tratamento.

Nos casos em que o tumor ou a metástase se encontra adjacente (menos de 5 mm) a uma estrutura crítica nobre, como o quiasma óptico ou um nervo óptico, o risco de um dano nesta região pode ser alto. Nestes casos, a indicação é de fracionar a dose para até 30 aplicações, reduzindo ou, como em muitas vezes, eliminando o risco de danos irreversíveis. Esta técnica leva o nome de Radioterapia Estereotáxica Fracionada.

 

Apoio: Gustavo Simonetti, físico médico do Hospital do Câncer Uopeccan em Cascavel