Cihdott, uma comissão de salva-vidas

O Hospital do Câncer Uopeccan tem uma equipe preparada para a captação dos órgãos para doação

Você sabe como funciona a captação e doação de órgãos dentro de um hospital? A Cihdoot (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante), é responsável por fazer esse trabalho. Todos os hospitais, sejam públicos, privados e filantrópicos, que possuam mais de 80 leitos devem ter a comissão. O trabalho da equipe vai além da captação, eles possibilitam o processo de identificação de possíveis doadores, fazem testes diagnósticos e auxiliam na notificação da família, para que seja reduzido possíveis problemas na efetivação do transplante.

Além disso, as comissões também são responsáveis pela educação continuada dos funcionários da instituição sobre os aspectos de doação e transplantes de órgãos e tecidos; articulação com todas as unidades de recursos diagnósticos necessários para atender aos casos de possível doação.

A equipe da Cihdott do Hospital do Câncer Uopeccan, de Umuarama, é formada por uma equipe multiprofissional sendo eles: enfermeiros, psicólogo, assistente social, médicos, um total de 12 pessoas. Além deles, o hospital como um todo é e deve se comportar como parte da equipe, para que o processo seja cada vez mais positivo.

A comissão classifica os hospitais como três tipos: I, II e III. O tipo I são hospitais que registram até 200 mortes por ano, que possuam assistência ventilatória, neurocirurgia ou neuropediatria. Os hospitais classificados como tipo II, são instituições com referência em trauma e/ou neurologia ou neurocirurgia e que tenham menos de mil óbitos no ano. Isso serve para hospitais não oncológicos. O tipo III, denominado não oncológico e que registrem mais de mil óbitos no ano. Para os demais hospitais, não é obrigatório a criação da Cihdott.

O Hospital do Câncer Uopeccan, realizou no ano de 2017 a primeira cirurgia de transplante de fígado do interior do Paraná. Para que isso fosse possível, o hospital precisou cumprir uma série de exigências e requisitos que são estabelecidos pelo SNT (Sistema Nacional de Transplante), e contou com a participação da equipe da Cihdott formada na instituição.

Para o Enfermeiro Gelvis dos Santos Trevisan, que hoje atua no Centro Cirúrgico, a equipe é de suma importância em todos os aspectos. “A comissão é importante pelo fato da agilidade do processo e a concretização sendo, positivo ou negativo, formulação de rotinas e protocolos, vale lembrar que tem participação importante na conscientização de todos os colaboradores e sociedade. Uma equipe treinada e preparada faz todo a diferença”, afirma o profissional, que também faz parte da comissão.

Doação de Órgãos

A doação de órgãos e tecidos pode ocorrer após a constatação de morte encefálica, que é a interrupção irreversível das funções cerebrais, ou em vida. Nos casos de a doação ocorrer após o protocolo de morte, a retirada dos órgãos é feita por meio de uma cirurgia convencional, já que o corpo é reconstituído normalmente, podendo ser velado sem nenhum problema.

Para que isso aconteça, no entanto, é preciso informar os familiares, pois somente os membros da família podem autorizar a doação. Com esse ato, é possível oferecer às pessoas que aguardam nas filas de transplante a chance de elas terem uma vida confortável.

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de cada oito potenciais doadores, apenas um é notificado. Enquanto em países como Espanha – referência mundial quando o assunto é transplante – são registrados perto de 40 por milhão, no Brasil essa taxa está próxima de 15. “Diversos fatores contribuem para este número, mas um dos principais é a negação familiar, uma vez que no Brasil, para ser doador, não é preciso deixar nada por escrito, e sim comunicar à família, pois somente os parentes podem autorizar a doação. Para mudar este quadro e permitir que cada vez mais pessoas que estão na fila dos transplantes possam voltar a desfrutar de uma vida confortável, é essencial inserir a temática da doação no cotidiano, dentro das escolas e faculdades de medicina, e também desfazer mitos que circulam entre a população”, sinaliza texto informativo da ADOTE, a Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos.