Pulmão O câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos, apresentando um aumento por ano de 2% na sua incidência mundial. Em 90%dos casos diagnosticados está associado ao consumo de derivados de tabaco. No Brasil, o câncer de pulmão foi responsável por 14.715 óbitosem 2000, sendo o tipo de câncer que mais fez vítimas. Segundo as Estimativas de Incidência e Mortalidade por Câncer do INCA, o câncer de pulmão deverá atingir 22.085 pessoas (15.165 homens e 6.920 mulheres) e causar 16.230 mortes em 2003.
O câncer de pulmão de células não pequenas corresponde a um grupo heterogêneo composto de três tipos histológicos distintos: carcinoma epidermóide, adenocarcinoma ecarcinoma de células grandes, ocorrendo em cerca de 75% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão. Dentre os tipos celulares restantes, destaca-se o carcinoma indiferenciado de células pequenas, com os três subtipos celulares: o linfocitóide (oat cell), ointermediário e o combinado (de células pequenas mais carcinoma epidermóide ou adenocarcinoma). A expressão oat cell ganhou importânciano linguajar médico por tratar-se de um subtipo especial de câncerpulmonar, caracterizado por um rápido crescimento, grande capacidade de disseminação e, inclusive com invasão cerebral precoce. Apesar do alto grau de resposta ao tratamento, apresenta baixo percentual de cura.
A maneira mais fácil de se diagnosticar o câncer de pulmão é através deum raio-X torácico complementado por uma tomografia computadorizada. Abroncoscopia (endoscopia respiratória) deve ser realizada para avaliara árvore traquebrônquica e eventualmente permitir a biópsia. É fundamental obter um diagnóstico preciso, seja pela citologia oupatologia. Uma vez obtida a certeza da doença realiza-se oestadiamento, que consiste em saber o estágio de evolução, ou seja, sea doença está restrita ao pulmão ou disseminada por outros órgãos.
Independentemente do tipo celular ou subcelular, o tabagismo é o principal fator de risco do câncer pulmonar, sendo responsável por 90% dos casos. Outros fatores relacionados são certos agentes químicos (como o arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, níquel, cádmio e cloreto de vinila, principalmente encontrados no ambiente ocupacional), fatores dietéticos (baixo consumo de frutas e verduras), a doença pulmonar obstrutivacrônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos (que predispõem à ação carcinogênica de compostos inorgânicos de asbesto e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos) e história familiar de câncerde pulmão.
Os tumores de localização central provocam sintomas como tosse, sibilos, estridor (ronco), dor no tórax, escarroshemópticos (escarro com raias de sangue), dispnéia (falta de ar) epneumonite (brônquio). Os tumores de localização periférica são geralmente assintomáticos. Quando eles invadem a pleura ou a paredetorácica, causam dor, tosse e dispnéia do tipo restritivo (ou seja, pela pouca expansibilidade pulmonar). O tumor localizado no ápice pulmonar (Tumor de Pancoast) geralmente compromete o oitavo nervocervical e os primeiros nervos torácicos, levando à síndrome de Pancoast, que corresponde à presença de tumor no sulco superior de umdos pulmões e dor no ombro correspondente, que se irradia para o braço. Nos fumantes, o ritmo habitual da tosse é alterado, podendo existir em crises em horários incomuns para o paciente. Uma pneumonia de repetição pode ser também um sintoma inicial de câncer de pulmão.
A mais importante e eficaz prevenção do câncer de pulmão é a primária, ou seja, o combate ao tabagismo, com o que se consegue a redução do número de casos (incidência) e de mortalidade.
O câncer de pulmão apresenta três alternativas terapêuticas: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Estes métodos podem ser associados para obter melhores resultados. Tumores restritos ao pulmão, nos estágios I e II, devem ser operados e removidos. Nestes casos, a chance de cura e de até 70%. Nos outros estágios uma associação de quimioterapia e radioterapia, com eventual resgate cirúrgico é a alternativa que melhor mostra resultados, porém não ultrapassando 30% de índice de cura. No estágio VI a quimioterapia é o tratamento mais indicado, porém, as chances de cura são extremamente reduzidas. Até o momento não existe benefício comprovado pelo uso da imunoterapia.
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